O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman está programado para decolar em 30 de agosto de 2026, às 11h26 UTC — 8h26 no horário de Brasília. A missão deve partir do Centro Espacial Kennedy em um foguete Falcon Heavy.

A data só se torna definitiva após as revisões finais de prontidão e ainda pode mudar por razões técnicas ou meteorológicas. O mais importante, porém, é entender por que o Roman pode alterar a escala dos levantamentos astronômicos.

Um espelho conhecido, um campo muito maior

O espelho principal possui 2,4 metros de diâmetro, a mesma classe do Hubble. A diferença central está no campo de visão: o Roman poderá registrar uma área pelo menos cem vezes maior mantendo resolução infravermelha comparável.

O Hubble é excelente para observar uma região estreita em grande detalhe. O Roman foi desenhado para produzir panoramas profundos e nítidos. As missões serão complementares, não substitutas.

Representação de um levantamento infravermelho amplo repleto de galáxias

Os dois instrumentos

O Wide Field Instrument será o motor científico principal. Ele fará imagens e espectroscopia de grandes áreas para estudar galáxias, supernovas, estrelas e planetas.

O Coronagraph Instrument é uma demonstração tecnológica. Ele bloqueia a luz intensa de uma estrela para tentar observar objetos muito mais fracos ao redor, como planetas gigantes e discos de formação. As técnicas testadas poderão orientar futuros observatórios capazes de fotografar mundos menores.

Energia escura e estrutura do Universo

O Roman mapeará a distribuição de galáxias e matéria ao longo do tempo cósmico. Também acompanhará supernovas distantes. Esses dados ajudarão a medir como a expansão do Universo mudou e a testar modelos de energia escura.

O telescópio não “verá” energia escura diretamente. Ele observará seus efeitos na expansão e na formação das grandes estruturas cósmicas.

Uma fábrica de exoplanetas

Ao monitorar campos densos de estrelas, o Roman procurará eventos de microlente gravitacional. Quando um planeta e sua estrela passam na frente de uma estrela mais distante, a gravidade do sistema pode ampliar temporariamente a luz de fundo.

Esse método encontra mundos em órbitas mais distantes de suas estrelas e até candidatos que vagam sem estrela hospedeira. Ele complementa o TESS, mais sensível a planetas que transitam perto de suas estrelas.

O caminho depois do lançamento

Após a decolagem, o observatório seguirá para uma região de equilíbrio gravitacional conhecida como ponto L2 do sistema Sol-Terra. A viagem, a ativação e os testes dos instrumentos levam tempo. O início da ciência não acontece no mesmo dia do lançamento.

Durante a cobertura, estes são os marcos mais importantes:

  1. decolagem e separação do foguete;
  2. comunicação e abertura dos painéis solares;
  3. trajetória confirmada para L2;
  4. comissionamento dos instrumentos;
  5. divulgação das primeiras imagens científicas.

O Roman representa uma mudança de escala. Em vez de escolher entre imagem detalhada e grande área, a missão foi construída para oferecer as duas coisas em conjunto.

Os primeiros levantamentos também deverão gerar um arquivo público valioso para pesquisas que ainda nem foram propostas. Quando um observatório registra grandes áreas repetidamente, os mesmos dados podem revelar objetos variáveis, movimentos lentos e eventos raros além dos objetivos principais da missão.

Fontes oficiais

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